Estava em um cenário familiar. Nunca tinha estado lá, mas de tanto que conhecia, eu sentia que poderia andar de olhos fechados pelo castelo. Era feito de mármore escuro e frio. E perturbador pra alguns, é claro. Câmaras isoladas umas das outras faziam fila pelos corredores do local, abrigando correntes, mesas de madeira bem velha e alguns brinquedos. Não, aquilo não era a Disneilândia, apesar de achar que a Cinderela ou a Branca-de-Neve seriam ótimas convidadas. Os brinquedos não divertiam em nada aos visitantes, apenas à mim, e tenho que admitir meu egocentrismo. Mas tudo era para um bem maior... e se ao menos não os divertiam, colocavam-os para dormir, assim como um móbile. A grandiosidade da fortaleza era proposital. Aquela, era uma fábrica. Talvez de desejos, sonhos, ou até mesmo odisséias individuais geradas na cabeça dos consumidores.
Ou uma fábrica de elixir.
Bom, não garantimos uma eternidade duradoura. De fato ela passa rápido, mas serão os seus melhores instantes. Vindo do porão do castelo, onde as caldeiras se encontram, um aroma, talvez tóxico, pois não testamos ainda, invade as narinas dos hóspedes, passa por cada vértebra deixando um calafrio maior que o outro e chega até os pés, sumindo como um devaneio. Eles me contaram que de começo o cheiro é bom como o perfume de Zeus e sentiam a glória de uma platéia vibrante ovacionando passando pelas narinas. Aí, se lembravam do palco, das câmeras, das luzes e de suas limosines. Mas assim que eles enxergavam aquela liga de cobre e estanho quase enferrujada, tenho certeza que era pior do que a maior vaia pública possível. O mesmo efeito ocorria quando viam as cordas, os fios elétricos, os ganchos e as serras. Aparentemente não se entimidavam com água ou palitos, até que estes últimos o encostavam e proporcionavam dores mais agudas que um tenor.
Numa corporação deste nível, limpeza era indispensável. Resíduos eram sempre descartados da maneira mais próxima que podíamos de cumprir a lei, e os líquidos, posso garantir que eram bem aproveitados. Cada mL, cada gota, cada MOLÉCULA era bem vinda, mediante à raridade de nosso ingrediente principal. Sinceramente, era diferente do que a unanimidade pensava (Claro, a unanimidade é burra!). Ele não era dourado nem prateado. Era vermelho e reluzia pouco, assim como qualquer outro. A viscosidade variava de acordo com a fonte, mas o que poucos sabiam era que o gosto era extremamente forte, diferente do tipo comum. Nem meus cozinheiros, nem meus "alquimistas" descobriam o porque disso, mas era um fato e eu, dono daquele empreendimento, apenas tirava proveito disso. Fazia o que qualquer um faria; exatamente, eu era qualquer um, e por isso mesmo não estava preso àquelas mesas e correntes.
Tudo na vida tem um preço, mas não te contaram que também tem um sabor. O preço pela sua glória era a vida, e o sabor, maravilhoso.
Talvez depois de tudo isso, você se pergunte como eu sei disso, e suspeite que sou um membro da família dos Phyllostomidae, um Desmodus Rotundus. Um drácula da vida. Mas não, eu não sou nem acredito nessa babozeira. Depois que estes viraram coadjuvantes em contos de fadas adolescentes, perdi a esperança em sua existência.
Eu sou apenas alguém que teve uma inspiração onírica. Um delírio desvairado. Uma epifania reveladora. E esta, era minha obra-prima... o novo e refrescante; o desejado e extravagante; senhoras e senhores, apresento-lhes o Celebrity Liquor®.
Ou uma fábrica de elixir.
Bom, não garantimos uma eternidade duradoura. De fato ela passa rápido, mas serão os seus melhores instantes. Vindo do porão do castelo, onde as caldeiras se encontram, um aroma, talvez tóxico, pois não testamos ainda, invade as narinas dos hóspedes, passa por cada vértebra deixando um calafrio maior que o outro e chega até os pés, sumindo como um devaneio. Eles me contaram que de começo o cheiro é bom como o perfume de Zeus e sentiam a glória de uma platéia vibrante ovacionando passando pelas narinas. Aí, se lembravam do palco, das câmeras, das luzes e de suas limosines. Mas assim que eles enxergavam aquela liga de cobre e estanho quase enferrujada, tenho certeza que era pior do que a maior vaia pública possível. O mesmo efeito ocorria quando viam as cordas, os fios elétricos, os ganchos e as serras. Aparentemente não se entimidavam com água ou palitos, até que estes últimos o encostavam e proporcionavam dores mais agudas que um tenor.
Numa corporação deste nível, limpeza era indispensável. Resíduos eram sempre descartados da maneira mais próxima que podíamos de cumprir a lei, e os líquidos, posso garantir que eram bem aproveitados. Cada mL, cada gota, cada MOLÉCULA era bem vinda, mediante à raridade de nosso ingrediente principal. Sinceramente, era diferente do que a unanimidade pensava (Claro, a unanimidade é burra!). Ele não era dourado nem prateado. Era vermelho e reluzia pouco, assim como qualquer outro. A viscosidade variava de acordo com a fonte, mas o que poucos sabiam era que o gosto era extremamente forte, diferente do tipo comum. Nem meus cozinheiros, nem meus "alquimistas" descobriam o porque disso, mas era um fato e eu, dono daquele empreendimento, apenas tirava proveito disso. Fazia o que qualquer um faria; exatamente, eu era qualquer um, e por isso mesmo não estava preso àquelas mesas e correntes.
Tudo na vida tem um preço, mas não te contaram que também tem um sabor. O preço pela sua glória era a vida, e o sabor, maravilhoso.
Talvez depois de tudo isso, você se pergunte como eu sei disso, e suspeite que sou um membro da família dos Phyllostomidae, um Desmodus Rotundus. Um drácula da vida. Mas não, eu não sou nem acredito nessa babozeira. Depois que estes viraram coadjuvantes em contos de fadas adolescentes, perdi a esperança em sua existência.
Eu sou apenas alguém que teve uma inspiração onírica. Um delírio desvairado. Uma epifania reveladora. E esta, era minha obra-prima... o novo e refrescante; o desejado e extravagante; senhoras e senhores, apresento-lhes o Celebrity Liquor®.
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